Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens

Contos - Saida pela esquerda




— Preciso ir! - Claudinei dizia olhando para o relógio e para a porta.
— Mas ainda não amanheceu! - Bibiana estava agarrando ele pelos braços e tentando dar-lhe um beijo.
— Você não entende, eu nunca passeio de dia... Eu sou diferente!
— Todo mundo diz isso! Deixa disso e fica um pouco mais comigo! Ainda faltam alguns minutos para amanhecer e ficamos aqui no meu apartamento apenas duas horas! Vai com calma, tá bem?
— Não dá! Olha! Eu já te dei meu telefone, meu e-mail e meu msn. Agora tenho mesmo que ir. Então me dê um beijo e a gente se vê a noite. Desculpe-me, mas eu realmente não posso ficar... Quem manda gostar de homens que se vestem de preto e que freqüentam casas noturnas. - Ele sorri, tocando no rosto dela.
— É uma pena que vai embora. Vou sentir sua falta. Gostei mesmo do seu jeito. Ligue-me está bem?
Bibiana beijou seus lábios e ele saiu correndo. Quando ela fechou a porta, ouviu um grito...
Claudinei batia na porta, rindo muito. Como se ele tivesse ganhado na loteria.
Ela abre a porta e o vêde costas para a porta, apontando para o sol...
— Veja... O sol apareceu... E eu não estou morto. Não morri queimado. Estou vivo! Inteiro! Eu... Argh...
O barulho do pescoço quebrado não é ouvido pela vizinhança.
Ela o arrasta para dentro e empurra a porta.
Porém, antes de fechá-la, ela morde o pescoço dele.

Contos - No limiar da dança




- No Limiar da Dança -
Por Adriano Siqueira


Ela dançava como se estivesse flutuando sobre o chão.
Seus movimentos suaves, e a maneira como movia o ventre, eram incríveis. O brilho da roupa iluminava toda a casa... Ela era uma deusa da dança.
Seus olhos me atraíam para seu interior e, quanto mais ela se movia, mais eu me sentia atraído por ela!
Ela chegou bem perto de mim, movendo suas mãos como se brincasse com uma pena bem macia, desenhando no ar...
Estava ficando embriagado com as suas formas, suas curvas, seu sorriso.
Um homem que estava ali gritava de alegria por ver aquela beldade em forma de mulher.
Ela olhou para mim e me disse, dançando, sem dizer palavra alguma:
— Esta noite não...
Virando-se para o homem, fez-lhe algumas carícias e levou-o para fora da casa.
Desesperado, eu perguntei seu nome...
— Meu nome é Katrin!
Fiquei sonhando com aquelas palavras. Afinal, "essa noite não”. Qual noite seria a minha?
Na manhã seguinte a primeira notícia do jornal: um homem morto. Mordido no pescoço... Vampiros, é claro!
E o homem era o que estava comigo naquela noite.
Então, era uma vampira! Fiquei aliviado por ela não ter sido minha naquela noite...
Novamente fui atraído para aquela casa de dança!
Mas dessa vez estava preparado; embora sua sutileza me dominasse completamente e eu estivesse hipnotizado por aqueles movimentos. Eu só pensava, "Preciso tê-la... Preciso sentir sua pele”.
Ela, como se tivesse lido meu pensamento, veio até mim e levou-me para o meio do antro. Em pé, eu fiquei assistindo sua dança.
Suas mãos me tocavam levemente. Às vezes, seu rosto e suas pernas encostavam em mim. Eu estava suando.
Segurei seus braços. Eu estava completamente possuído pelo desejo; beijava seu pescoço e, aos poucos, ia descendo para seus seios. E ela, mesmo presa pelas minhas mãos, ainda mantinha os movimentos da dança, acompanhando os compassos da música com seu ventre.
Suas pernas envolviam meu corpo como cobras em uma dança que não tinha fim. Desabotoando minha camisa, ela beijava meu corpo...
Nem me dei conta que estávamos seminus... As pessoas, loucas, aplaudiam como se estivessem em transe, e eu nem me importava que ela fosse uma vampira; estava excitado demais para pensar em detalhes que, no momento, eram assim, insignificantes...
Os toques eram mágicos e sua pele queimava. Tudo o que ela fazia, era olhando para mim. E seus olhos transbordavam prazer.
Não sei o que houve, mas fui jogado contra a parede. Um homem enorme, vestindo uma capa, estava lá. Fiquei completamente tonto, mas conseguia vê-lo levantando o corpo dela do chão ao teto, segurando seu pescoço e gritando:
— Não é pra você flertar com a comida!
Os dentes daquele monstro cresciam e seus olhos pareciam fogo. Ela estava à sua mercê! As presas estavam chegando perto do pescoço dela.
Ela o olhava com pavor. Os caninos enormes chegando cada vez mais perto... ela estava quase desmaiando quando ele a largou e caiu, gritando como se visse o inferno.
A estaca tinha atravessado o corpo do vampiro... e onde havia um monstro agora só existia poeira.
Eu estava meio desacordado, mas consegui forças para derrotá-lo...
E a Katrin? Bom... Ela dança até hoje!

Contos - A Carta



- A Carta -
Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com



Sandra não gosta de viajar. Mas Transilvânia é um convite que ninguém recusaria!
Normalmente ela recebe convites para decoração através dos seus e-mails, não era esse o caso. A carta havia sido escrita a mão! Coisa muito rara hoje em dia, ainda mais quando as passagens estão no envelope. Seu trabalho era mesmo reconhecido no Brasil, mas no exterior? Pensar em como seu currículo seria enriquecido se decorasse uma casa na Transilvânia, a deixava muito eufórica - não importava que a carta dissesse que só poderiam atender à noite! Quem se importa?
Depois de mais de 6 horas de vôo, um carro já a esperava! O motorista não falava muito bem português, arrastando muito para o espanhol! Dizia algo sobre o dono da casa já aguardar a presença de Sandra...
O motorista pára perto de um morro e aponta para uma colina logo no final da cidade.
— É lá, senhorita! Devemos continuar o percurso a cavalo! - A charrete esta nos aguardando!
No caminho, o homem olhava para Sandra... Como se procurasse algo... E encontrou! As mãos do então motorista, que mais parecia um guarda-costas, pegaram seu pescoço e ele abriu a boca, revelando os dentes caninos para mordê-la... Sandra pula da charrete e cai ribanceira abaixo, correndo pela estrada quando um homem aparece.
— Esse lugar é perigoso para uma mulher andar sozinha!
— Quem é você e como fala a minha língua?
— Seus trajes a denunciaram... Meu nome é Thomas!. Você está pálida!
— É meu charme! Acho que um vampiro queria me morder!
— Não precisa ser um vampiro para querer te morder! - Disse Thomas chamando seu cavalo!
— Venha comigo! Eles atacam à noite... Venha para minha morada! - Thomas deu as mãos para ela subir. Uma armadilha sem dúvida, mas até então, era isso ou ficar lá só esperando ser jantar de algum vampiro.
— Tudo bem! Espero que tenha um chá bem quente!
— Aqui a bebida mais conhecida é o rum! As pessoas adoram álcool. Aqui é muito frio!
Sandra coloca os braços em volta do estranho e ele galopa velozmente para o castelo que estava perto.
— Você mora aqui?
— Sim... É a única moradia por perto. Venha... Vou mostrar seu quarto. Não se preocupe... É natural que tenha medo. Afinal aqui é o lar dos vampiros, não é?
Sandra sorri:
— Sim, é verdade. As lendas aqui são terríveis!
— Acredite em todas! A propósito, fui eu quem a chamou! Mas não enviei ninguém para apanhá-la, pois não sabia a que horas chegaria!
— Entendo perfeitamente – disse ela, olhando com desaprovação de tão clara era mentira que Thomas disse, pois ele havia comprado as passagens e com certeza saberia que horas ela iria chegar.
— Olhe ao seu redor, Sandra... Veja quanto trabalho terá!
— A começar pelas suas roupas de séculos passados! - Ela fecha a porta na cara de Thomas e ele sorri... E grita:
— O jantar será às nove horas!
— Jantar as nove horas? - Sandra vai até o guarda-roupa e olha com desaprovação, embora as roupas foram as coisas mais novas que ela encontrou lá. Parece que seu anfitrião sabia exatamente do que Sandra gostava.
Ela veste um vestido preto com alguns desenhos dourados envolvendo todo o vestido, colocando um pequeno lenço vermelho ao redor de seu pescoço, solta os cabelos e coloca uma sombra não muito visível, mas o suficiente para chamar a atenção. Embora estivesse frio, o castelo não tinha muita corrente de ar... Mas os barulhos de ratos e gotas pingando deixavam o ambiente inquieto e inseguro.
Sandra sai do quarto e anda pelos corredores do castelo até chegar na escada que dá para a sala de jantar. Uma mesa enorme servida apenas por dois garçons. Com variações de comida local e algumas coisas bem típicas brasileiras, como frutas etc.
— Demorei muito para encontrar as coisas da sua terra, mas quero que se sinta em casa!
— Nunca vou me sentir em casa com seus ratos fazendo festa pelo castelo...
— Pois saiba que esses "ratos" comem baratas e aranhas e tenho certeza não encontrou nenhum na sua cama!
— Não sei! Nada ainda me fez ter vontade de ir pra cama! - Sandra estava atacando a jovialidade de Thomas. Mas ele também sabia jogar!
— Acredito que os camponeses daqui tenham te chamado mais a atenção!
— Talvez, Thomas! Gosto de gente que trabalha e batalha pelas suas coisas!
— É claro... Andar pela floresta sozinha a deixou humilde! Pois vou dizer uma coisa que não sabe. Se você for agora para lá, para a vila, todos vão querer pendurá-la em uma árvore! Sabe, Sandra, as pessoas acham que este lugar é amaldiçoado!
As luzes das velas estavam ficando mais fracas, até que um relâmpago ilumina Thomas por completo. Rindo com os dentes salientes... Sandra leva um susto e fica bem grudada à cadeira. Mas as luzes voltam e ele estava absolutamente normal!
— O que foi, querida Sandra? Viu um fantasma?
Completamente pálida e suando, Sandra balança a cabeça negando ter visto algo. Ela tinha que sair de lá, e rápido!
— Eu preciso ir para o quarto, Thomas. Não estou me sentindo bem.
— Mas é claro, minha querida, a viagem era mesmo cansativa... Merece um descanso! Depois irei visitá-la em seus aposentos!
— Tudo bem, Thomas!
Ela ficou na cama, pensando em uma maneira de escapar dali. Mas nada tinha em mente.
Por mais que lutasse, Sandra estava cansada e adormeceu. No seu sonho, muitas imagens apareceram, era como se ela estivesse vivendo o sonho de outra mulher. As roupas diferentes. Épocas distantes. Banquetes de sangue e sempre que ela olhava para o lado, Thomas aparecia.
Enquanto Sandra tinha os mais diversos sonhos, uma névoa entra vagarosamente pela porta e, aos poucos, vai se transformando num corpo de homem. Era Thomas! Sentado na cama ele, passa as mãos no rosto de Sandra e sente o calor de sua pele...
— Não posso... Maldita é a fome e o desejo de amar...
Sandra acorda e olha para Thomas. Levando as mãos dele para o rosto dela! Ele a beija e seu beijo fica cada vez mais ardente... Mais desejos invadem aquele quarto! As mãos de Sandra tentam encontrar a estaca embaixo da cama, mas para sua surpresa, não encontram... Havia um rato brincando com ela, levando-a para mais longe de Sandra!
— Eu quero você, Sandra!
— Oh, eu também te quero, Thomas!
Ela pulou para o outro lado da cama para encontrar a estaca, mas foi em vão, o rato estava brincando com ela... Até que a estaca rola para a o lado esquerdo da cama, quase deixando Thomas ver. Ela troca de posição com o homem para deixar só ela vendo!
— Preciso do seu pescoço, Sandra!
— Claro Thomas! - Ela salta para fora da cama e senta-se perto da estaca...
— Porque saiu da cama? - Dizia Thomas atônito!
— É para não sujar a cama. Afinal, se me morder, vou ter que cuidar do castelo!
Thomas ria insanamente:
— É verdade. Agora venha!
Sandra com a estaca na mão, escondida por trás de seu corpo, chega perto de Thomas.
— Feche os olhos, Thomas! As nossas vidas jamais serão as mesmas!
Ele fecha os olhos e ela enfia com força a estaca no seu peito, fazendo Thomas instintivamente agarrar Sandra e mordê-la com a estaca enfiada e em seguida seu corpo se transforma em pó.
Depois de horas, ela acordou. Sandra só queria sair daquele lugar. Arrumou as suas malas e saiu do quarto. Antes de partir. Sua curiosidade foi maior. Ela tinha que conhecer o quarto do Thomas. Ela abriu a porta e viu que o quarto parecia ser de um príncipe. Ele tinha bom gosto. A decoração do quarto dele era um exemplo em decoração. Muito bem planejado. A não ser por aquele quadro velho. Não combinava com o quarto. O quadro mostrava Thomas com uma mulher. Uma mulher muito parecida com a Sandra. Ela sorriu e partiu...
Mais tarde, no avião, lendo o jornal. Sandra lê uma matéria sobre prováveis vampiros na região, quando o passageiro sentado ao lado dela pergunta:
— Você acredita em vampiros?
Sandra não responde. Ela apenas “abraça” o passageiro.

Contos - Paixão Mortal




- Paixão Mortal -
Por Adriano Siqueira



Seus caninos perfuravam meu pescoço novamente.
Maldita vampira.
Ela me sugava toda noite... Eu tinha medo até de dormir. Sabia que ela iria aparecer de novo. Só que, desta vez, estaria preparado. Fiz uma estaca com um cabo de vassoura e peguei um martelo de carne na cozinha. Apaguei a luz e fiquei ali, escondido atrás da porta do quarto.
Eu estava suando muito e ficava pensando nas noites em que fui atacado e seduzido por esta vampira.
Desde que a conheci, eu nunca mais consegui dormir novamente.
Você sabe o que é ser sugado por onze anos? Onze anos indo a clínicas, fazendo exames, tratamentos médicos, pílulas, antibióticos...
Quase não conseguia mais sair da cama. Chamavam-me de louco, mas hoje ela iria pagar.
Estava certo que ela morreria esta noite. Minhas mãos tremiam, minha boca estava seca, mal conseguia manter meus olhos abertos.
Chovia muito, quando ouvi um barulho na janela. Isso não era comum. Ela nunca fazia barulhos. De repente, escutei a janela sendo quebrada e, logo em seguida, ouço gemidos bem baixos.
Finalmente tomei coragem e olhei para ver o que estava acontecendo.
Era ela. Caída, com uma estaca no peito e cheia de sangue...
Larguei o cabo de vassoura e o martelo. Corri para ver o que estava acontecendo e coloquei-a em meu colo... Ela olhou para mim, chorando... Alisando meu cabelo, bem devagar, ela me disse, bem baixinho:
— Eu te amo!
Eu arranquei a estaca de seu peito e a coloquei em meu colo. Conforme as minhas lágrimas alcançavam seu corpo, uma fumaça tomava conta daquele lugar. E quando a fumaça parou, seu corpo já não existia mais...
Aquela noite foi longa...

Contos - Sexo suor e vampiros




- Sexo, Suor e Vampiros -
Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com


Mexendo as pernas, ela movimenta seu corpo de forma sublime, jogando seus lindos cabelos loiros para os lados e sempre me olhando com aqueles olhos verdes. Que mulher maravilhosa... Nem dava para acreditar que estava nesta espelunca de bar!
Tudo estava enfumaçado e tocava um blues de Ella Fitzgerald. Aquele palco era escuro e havia apenas uma luz.. Uma única luz que iluminava o corpo daquela mulher. Eu já estava na minha segunda dose de vodca. A cada gole que eu dava, um olhar transparecia pelo copo.
Até esqueci que estava aqui para prendê-la por assassinato. A polícia, lá fora, estava esperando um sinal, exatamente como pedi.
Quando o show acabou, fui para o camarim. Era pequeno, mas cheio de flores, que faziam o local ficar agradável para um tigre como eu, colocado dentro de uma jaula com uma pantera.
Ela não fez pergunta alguma. Apenas olhou com raiva por ter invadido seu pobre e pequeno local. Fui golpeado por suas mãos várias vezes até que não agüentar mais e, segurando suas mãos, dei um tapa em sua face, fazendo–a cair na poltrona que ali estava. Ela se levantou e ficou me olhando então... Seus dentes surgiam mais brancos, mais pontiagudos, mais selvagens. Ela não dizia mais nada... Só rosnava! Rosnava como um animal louco pela presa.
Avançou em minha direção e começou a arrancar minhas roupas (boa parte com os dentes). Tocou em cada centímetro do meu corpo. Raiva? Paixão? Que se dane! Eu sentia tudo deliciosa e silenciosamente. Ela me possuía por completo. Seus seios dançavam na frente dos meus olhos, enquanto ela sentava e penetrava cada intensidade de prazer em meu corpo.
Eu entendia perfeitamente porque ela assassinou seu marido e entendia também que dessa eu não passava. Ela ficou mordendo meu pulso e, sangrando, ela passou pelo seu corpo. Era um banho excitante. Eu podia ver em sua face que ela tinha orgasmos por sangue e sexo. Era um tesão! Tinha que ir até o final.
Agarrei seus cabelos e a forçava mexer mais e mais até que ela enfiou as unhas na minhas costas e rasgou até embaixo! Eu gritava, mas não sabia se era prazer ou dor. Ela gritava junto como um uivo de lobo que consegue agarrar a presa.
Quando tudo terminou, fiquei ali não sei quanto tempo... Inerte até a policia chegar e ver meu corpo completamente jogado na cama.
Aos poucos fui acordando e a única pista que eu tinha para provar que ela esteve ali era a rosa que estava em minhas mãos e uma mensagem.
"Se você ficar vivo, nos veremos de novo! — Ass. Veri"

Contos - Olhos Negros

Selma: — Você havia ligado e eu vim correndo.
Angelo: — Que bom que veio. Sempre é bom ter alguém ao meu lado.
Selma: — Por favor, não diga isso. Para mim é um prazer.
Angelo: — Preciso de outro. Aquele que me deu ontem não durou nada.
Selma: — Não posso. Aquele que dei ontem era pra durar mais de uma semana.
Angelo: — Você não entende... Está muito forte... Pequenas doses já não adiantam mais.
Foi quando ela me abraçou e desabotoou a camisa.
Nunca consegui que ela parasse de me ajudar. Acho que era paixão, mas não sei... Ela se sacrificaria por mim. Levemente, ela levou a minha cabeça para seu pescoço e me alimentei por um longo tempo.
Vomitei aquela noite toda. Seu corpo na sala, jogado no sofá, me fazia pensar se a fome era tão importante assim para matar a única pessoa que eu realmente me amava...
Sentei ao lado dela... Seus olhos vazios... Seu corpo frio... A pele branca... Deitei no seu colo.
Liguei o teto solar. Estava quase amanhecendo.
O sol! A grande estrela que iluminava os homens, agora me abraçava com seus raios quentes e mortíferos. O calor que não sentia há anos, agora estava ao meu alcance.
Abraçado a minha adorada, a quem devia minha vida, vi seus olhos se abrirem na imensidão do fogo que já havia tomado todo o local.
Ela me olhou com seus olhos negros, me deu um sorriso e nos beijamos.
Finalmente todo o meu sofrimento acabou. E agora estamos juntos.
Até que a vida nos separe.